sexta-feira, 18 de abril de 2008

O pastor, as ovelhas e os lobos-capachos.


Reza a lenda que morava em cima de uma alta colina um pastor e suas ovelhas. As ovelhas eram muito mimadas e eram tratadas à pão-de-ló. O pastor cuidava para que nenhuma delas fosse devorada por lobo algum e vivia na defensiva com o seu cajado mágico nas mãos.

As ovelhas viviam presas em uma cerca. Por mais que vivessem felizes, não podiam sair dali pra dar um passeio, nem para conhecer o resto da colina. Assistiam o pôr-do-sol no horizonte longínquo tentando adivinhar que cheiro tinha o entardecer ao pé da montanha envolvida pelo crepúsculo.

O pastor, por causa da tristeza de suas ovelhas, tinha o coração em prantos. Desejava muito libertá-las da cerca. Sim, porque quem ama não prende, mas permite que o outro seja feliz longe de seu domínio. No entanto, a cerca era controlada por uma serpente gigante. Essa serpente rondava toda a região e vinha sempre acompanhada de seus lobos-capachos.

Vez ou outra, na tentativa de espiar pra fora da cerca, uma ovelha era devorada pelos lobos. A regra das ovelhas, portanto, era manter-se o mais próximo possível do pastor.

Havia uma única forma de libertar as ovelhas da cerca: tomar da serpente a chave encantada. Destruída a chave, a cerca desabaria e, junto com ela, o reinado da serpente. Certa noite, o pastor arquitetou um plano. Sabia de todos os riscos, mas era capaz de fazer tudo por suas ovelhas. Quando a noite caiu, deixou suas ovelhas dormindo e pulou a cerca. Acreditava que os lobos estariam em seus sonhos. Atravessou um caminho que levava ao trono da serpente e, pegando-a desprevenida, derrubou-a do trono com seu cajado e roubou-lhe a chave, destruindo-a imediatamente.

No entanto, mal sabia que os lobos-capachos estavam ás suas costas e, mais do que depressa, abocanharam o pastor.

No dia seguinte, as ovelhas despertaram e não viram mais a cerca ao seu redor. Acharam aquilo tudo muito estranho. Perceberam que cada uma delas trazia na região do peito uma mancha de sangue. E era essa mancha que mantinha os ex-lobos-capachos distantes. Cheias de esperança, foram ver o sol nascer atrás da montanha. Estavam agradecidas pelo ato do pastor. Sabiam que ele não estava mais dentre elas, mas a mancha de sangue as fazia lembrar o gesto de amor e o ato de coragem. E descobriram que o amor era a entrega, a renúncia, era poder assistir o sol sem obstáculo, era o renascer da esperança, era a redenção...

25 comentários:

~*Rebeca*~ disse...

Era uma vez, um rapaz chamado Filipe Garcia. Esse moço realmente escreve porque ama.

E assim, ele foi(e será), feliz para sempre.

Beijo.

=]

-

Lucas disse...

"Não há maior prova de amor do que esta: dar a sua própria vida pelos seus amigos"
Jesus

abraço irmão

Dominique disse...

Entre sacrifício e libertação, renúncia e felicidade... amar sempre é difícil.

Mas já pensou se, no mundo, não houvesse um único ser capaz de se arriscar a ser "devorado" por amor a outra pessoa?...


Talvez, Filipe, esta seja a lição que vivemos esquecendo: amar com abnegação.


Um abração para ti e bom fim de semana!


P.S.: Vou colocar a foto depois lá no Dominus, tá?

imnotinsane disse...

Lindissimo, bela moral de historia :) ***

Jaya disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bárbara Matias disse...

Filipe..

Gostei da maneira de descrever um sacrificio...
Pude entender de uma maneira didática o q realmente um dia aconteceu... e pq nao vivemos mais em cercas...

Que saibamos viver sem elas! Pq o real sentido da liberdade está dentro de si... mas está longe dos perigos de vida!

bjim

Luciano Martini disse...

Obrigado por sua palavras a respeito do meu poema.
Na verdade não pensei em escrever uma música, alguém certa vez escreveu: "Ser poeta é a minha maneira de estar sozinho."

Acho que isso explica melhor o porquê escrevo...

Proibida disse...

Fabuloso!...

Querido, sempre aqui estarei. Admiro você e por isso te gosto muito. ;)

Beijo

Míope disse...

Poucos fariam.

Bmo texto!
Abraços!

[Desculpa a demora!]

Míope disse...

*Bom

disse...

Nooossaaaa!
amei o texto!
lindo mesmo.

parabéns!
=)

Ana disse...

Queria acraditar no sacrifício, na redenção, mas, como disse um amigo meu, "não há redenção, no máximo, psicanálise"...
No entanto, sempre é bom um exemplo!
Bjo!

Juliana Caribé disse...

Bela metáfora para a história de Jesus... Amor incondicional assim hoje em dia é quase lenda...

Beijos.

Amanda Bia disse...

isso sim é gesto de amor! lindo texto!
beijos!

Ni ... disse...

"E descobriram que o amor era a entrega, a renúncia, era poder assistir o sol sem obstáculo, era o renascer da esperança, era a redenção..."

Lindo!! Parabéns moço!!
Beijo

o Cronista disse...

O amor é como um tosquiador: tira a lã de algupem, pra esquentar um coração com frio!

Camilla disse...

Exemplo mais perfeito: Jesus Cristo. É difícil encontrar pessoas que seriam capazes de sacrificar a própria vida em prol de outras. O gesto mais sublime.

Mary West disse...

Acho q mesmo com todos os riscos envolvidos, uma grande dose de libertade sempre valerá a pena.

Camilinha disse...

Um jeito de me lembrar o que Jesus fez por nós...

beijos daqui...

Marina Mah disse...

Amor verdadeiro...
Liberta e protege.

Hoje isso se torna metáfora, exemplo, história...
Diga-se de passagem a descrença atual em Cristo...

Muito lindo, moço!
Beijos

Gabriela disse...

Eii moço, você realmente ama o que faz.

;)

Dominique disse...

Voltei só pra ti desejar uma boa semana.

Até mais!

Fê Probst disse...

Triste do amor é que sempre algum acaba perdendo. O pastor precisou da morte para libertar suas ovelhas-amores. Elas estão livres, porém não contam mais com a presença dele. Manchas de sangue gravadas no peito, trazem lembrança. Mas não matam saudade...


Teu texto me lembrou um texto meio bíblico. ;)

nj.marabuto disse...

sou tão feliz por carregar essa mancha de sangue no peito! olho o horizonte, vejo cada movimento dos lobos e serpentes sem nada temer. o mesmo olhar que impulsiona meus passos ao horizonte dos meus sonhos é aquele que exorta, dá graças, constituindo nexo, ratio essendi, dando sentido especial à vida.

abraço

Rafael Dias disse...

Filipe, sabe o que eu fiquei sabendo...? que você é amigo da minha namorada, a Fernanda aí de Viçosa. o.O
comentei com ela que li um blog e ela falou que era seu. aí me falou que vocês sao amigos.
Mundo pequeno... o.O

Em relação ao texto, que por sinal é muito bom...

Amém.
Só isso.
Abraço