Da série: quem vê cara não vê coração.
Durante a minha graduação em Direito, fiz um estágio de conciliação no Tribunal de Justiça. Antes de chamar as partes de um determinado processo para compor a mesa, notei, pela lista que tinha em mãos, que os advogados e seus clientes eram todos homens. Gritei os nomes da lista no corredor e três homens e uma mulher entraram na minha sala. Acreditei que a mulher fosse alguma acompanhante ou mesmo estagiária de um dos advogados. Sendo assim, como era de praxe, aguardei alguns minutos para que o quarto nome da lista aparecesse. Assistindo a ansiedade dos que já estavam na mesa, salientei que era preciso aguardar o João. Depois de alguns risos dos advogados, a mulher voltou-se para mim e disse em grossa voz:
- Eu sou o João.