quinta-feira, 8 de maio de 2008

Vômito


Tanta coisa assim só me confunde. E seus atos parecem me dizer como faca cortante que é preciso que minha alma afunde. Diante dessa vastidão de mar ou lama, perco a calma, embaraço a alma. Alguém pode acender essa luz, por favor? Nem sempre é certo tatear dentro de um corredor obscuro de pensamentos soltos. Talvez você, algum dia, tivesse a intenção de me oferecer seus braços. E percebi que não adianta a minha súplica porque braços por si só não têm vida. Eu precisava do enlace, do abraço.

Meus pés deslizam qualquer superfície um tanto áspera enquanto espero sua réplica. Muni-me de tantas armas, das mais variadas. Do que adianta? Você chegou e mudou o curso de tudo, do todo, do tolo que sou. Diante dos seus gritos ensurdecedores, minhas mãos tremem e minha cabeça se agita. Dos meus gemidos sei, os meus passos admito: todos errados e nus, despidos de qualquer má-intenção.

Se você quiser me tirar esse embrulho do estômago, esteja certo que, antes disso, precisarei vomitar tudo em você. Já engoli tanta coisa que nem sei mais qual parte sou eu, qual parte é você girando dentro de mim, me causando esse reboliço infinito. Minhas orações ficam perdidas no saguão, não têm força pra chegar ao céu. Cansei dos truques, cansei das lágrimas, cansei e sei sobre esse clichê do tempo. Ah, o tempo cura todas as feridas! O rei tempo! Ei! Mas e enquanto isso? Faço o quê? Faço o que com essa dor dilacerante?

Só lhe peço uma coisa: volte alguns passos. Você era tão mais perto de mim quando sorria comigo nos braços. Se você permitir, gostaria de ser aquela criança. Sua criança. E mais nada. Quem sabe assim o tempo passa mais depressa? Quem sabe assim eu nem deseje o tempo passar? Quem sei? Nem sabe.

16 comentários:

Leila Saads disse...

Muitas vezes horas de ensaio não dão em nada, o rumo da prosa geralmente nos leva a outro lado.

Essa foto me lembrou as torturas da ditadura e, de fato alguns trechos do poema também Talve não tenha sido a intenção, talvez seja só o depoismento da ministra Dilma de ontem... hahaha =]


Beijoos=*

~*Rebeca*~ disse...

Ah Filipe lindo, como adoro sua visita...

Não é todo mundo que está preparado para um amor-menino. Vomite todas as verdades e não deixe nada entalar, essa pureza que habita em ti.

Beijo.

-

Alberto Vieira disse...

Filipe

Ouvi uma frase em uma musica, nao me lembro qual, e que se enquadra no seu texto. "Me cansei do cansasso"

E preciso acender a luz. O escuro nos deixa sonolento.

abraços

Amanda Bia disse...

sei bem como é ficar enjoada por alguém. literalmente! esse doeu...

beijos!

Maria Fernanda disse...

Tem um mimo pra ti lá no P.S.

Beijo gelado daqui :*

Rafael Dias disse...

E aí Filipe, tranquilo?
tempo que nao passo por aqui.
mas você continua mandando bem =D
"O rei tempo!"

abraço

Ni ... disse...

"E percebi que não adianta a minha súplica porque braços por si só não têm vida. Eu precisava do enlace, do abraço."

Perfeito! Beijo

imnotinsane disse...

Quase que resume uma parte da minha vida...
Durante 7 anos desejei ser a "criança" de alguem mas nunca aconteceu...
"Vomitei" e aguentei muita coisa dessa pessoa...
Águas passadas, agora sou feliz e é o que interessa :)

Tudo isto para dizer qe o texto tá muito bom ***

Carolina de Castro disse...

Acho que preciso colocar algumas coisas pra fora.
Vomitar faz bem!
=P

Juliana Caribé disse...

Eu acho que a pior solidão é a vivida a dois. E nem precisa ser num relacionamento amoroso. Qualquer tipo de troca. Isso de procurar os braços e não encontrar o aperto que a gente quer sentir, o aconchego de que a gente precisa pra seguir em frente.
Eu gostei especialmente desta parte: "E percebi que não adianta a minha súplica porque braços por si só não têm vida. Eu precisava do enlace, do abraço."
Parabéns, Filipe, seus textos estão cada dia melhores.

Meu beijo.

Toda Poesia disse...

Nossa... Estou estupefata. Gratíssima surpresa. Maravilha TE LER. Profundo. Sério. Faz a gente pensar. E gosto desse tipo de provocação. Gosto de tudo o que me desacomoda, o que me balança, o que me faz pensar que, afinal, há um mundo de outras coisas para serem vistas, ouvidas, aprendidas, que eu não sei tudo, nem nunca saberei, e isso é simplesmente fantástico. Adorei passar por aqui. Adorarei voltar. Sempre. Abraços.

Priscila Petrarca disse...

Simplesmente amei o texto, o desabafo, em especial, amei o trecho "Talvez você, algum dia, tivesse a intenção de me oferecer seus braços. E percebi que não adianta a minha súplica porque braços por si só não têm vida. Eu precisava do enlace, do abraço."
Perfeito! Me encanta a maneira doce que você expõe os mais variados sentimentos.
beijão!

Mary West disse...

Angustiante é a palavra exatá para descrever este texto tão incrivel. Brutal, as vezes temos q nos livrar destes bolos de dentro do estomago, custe o que custar.

Jaya disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jaya disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
alex e! disse...

...olá de novo, querido. É, só que o tempo nunca para de passar, e se talvez o pudéssemos controlar, quem sabe não nos perderíamos em alguma dimensão ainda mais louca e dilacerante do que essa nossa? A dor, bom, não sei se o tempo isso resolve, mas sou da opinião de que não se deve fugir de senti-la. A dor deve vir, sim, doer, sim. E acabar, deixando uma cicatriz que nos faça lembrar de nunca mais permitir que aquela ferida novamente se abra... Um abraço...