sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Entreaberta


*Para Luisa

Antes de você fechar a porta, quero que saiba que foi bonito aquele nosso passado cheio de afinidades. Era ver você atravessar a rua em minha direção e meu coração escapulia pra todos os cantos do corpo. Nossa amizade era tal qual um namoro, mas os sentimentos não eram estes, a gente sabia bem disso.


Suas cartas enfeitadas de poesia e papéis coloridos era minha essência. Você me destrinchava, narrava seus sentimentos como se eles fossem muito meus. E sua letra redonda, caprichada; seus versos acompanhados de uma fidelidade e autenticidade que me abraçavam por inteiro. Conhecer você era ter surpresas boas todos os dias.


Dos nossos choros eu lembro bem. Você segurando a minha mão e eu dizendo que as coisas iam se ajeitar. A lua não perde o encanto e você nunca perdeu seu jeito de donzela. Trata-se dessa sua cumplicidade ímpar com as coisas sublimes; é como se você tivesse descido do céu amparada por dois ser afins; seu coração é ritmado.


Bonita quando você roubava uma flor qualquer e prendia no canto dos seus cabelos vermelhos. Seu charme era fazer das singelezas coisas eternas que eu ia carregando no peito. Sua poesia se renovava. Seus abraços apertados e demorados, que tanto me deixavam tímido, também me importunavam com a certeza do gostar. É que nunca houve dúvidas: éramos colegas desde antes do pôr-do-sol.


Antes de você fechar a porta por inteiro, quero que escute meu sussurrar já cansado. Há coisas que a gente não entende, bailarina (lembra das suas danças?). Há coisas que enchem o travesseiro de preocupações. Mas há também nossos sonetos escritos a uma mão. E esse lirismo todo ainda perdura como um convite, como um pulsar de sentimento que ainda existe.


Você nunca foi embora. E nunca irá. Por mais que se despeça.

29 comentários:

Bárbara M.P. disse...

Olá Bruno,

Você, como sempre, muito doce em seus elogios.. aliás, elogios mútuos entre nós...


Perdõe - me não visitar seu mundo mais vezes, na verdade estou em falta com muitas pessoas queridas... Preciso me redimir urgentemente com todos (risos).

Meu trabalho, muitas vezes, me rouba semanas e semanas e fica difícil postar em tempos como esse.

Também existe o fato do Cartas existir apenas para alguns momentos mais intensos... é uma página que adormece, muitas vezes.
E desperta por um motivo em particular.

Fico feliz quando recebo lá pessoas de talento natural, conteúdo e bons ventos...
Reservei a tarde de hoje só para ler os textos recentes de alguns blogs que gosto demais... Então, por enquanto, vou ficar por
aqui e te fazer companhia.

Um beijo,
Bárbara

Mary West disse...

Doeu ler esse texto. Doeu pq nesse momento eu tenho que fechar uma porta, visto que do outro lado não tem nada que dê um futuro maior.

.Intense. disse...

Eu não sei se é um comentário...é só que eu lembrei de um diálogo que li certa vez e, guardei...

"- É verdade que os amores eternos nunca morrem?
- É. Ou não seriam eternos.
- Mesmo que a pessoa esteja longe de você?
- Mesmo que a pessoa esteja longe de você. Mas ela estará mais perto do que você pensa.
- E como sabemos que aquele amor é eterno?
- Não sabemos. Até um dia.
- O dia em que ele vai embora?
- É. O dia em que ele vai embora mas nunca parte."

...

beijo intenso...

Ká. disse...

Se eu tivesse escrito este texto, não teria dito tão bem o que tenho pensado. E também não teria feito tão belo.

Lindo e triste.
Claro e omisso.

Realmente obrigado.

disse...

foi bom ler o seu texto, deizar pra lá por um momento as peocupações e me lembrar de ver as pequenas coisa e os singelos atos que nos traz uma certa nostálgia.

disse...

e obrigada pelo comentário no meu blog. Gostei bastante. =)

Míope disse...

Ê palavras que me fazem crêr que ainda existem coisas do tipo.
Esse adeus que nunca será.

:)

Abç!

Quase Trinta disse...

Suspiros aqui do outro lado da tela.....
Q romantismo lindo, q texto leve e ótimo de se ler.........
Minha porta nunca estará fechada pra quem escreve assim como ti

Mariana disse...

O seu texto me inspirou....

Gostei demais...

beijos

Lizzie disse...

E como são doídos estes "fechar de portas". Normalmente são as que queríamos que esitevessem abertas, as que dão [dariam] passagem pra algo que sirva em nós/pra nós.


Beijos
www.lizziepohlmann.com

Jaya disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tiago Júlio disse...

Ei, Filipe,

Primeiro quero te pedir desculpas. Sim, ando desleixado com algumas coisas, e por isso não tenho freqüentado outras bandas e retribuído a atenção e os elogios que tu sempre deixou lá pelo meu espaço. De qualquer forma, acho que a gente não pode ler essas coisas de qualquer jeito.

Teus textos continuam líricos e ''adjetivados''. Essa poesia sutil que vem das tuas palavras é realmente tocante. Tua técnica é muita boa também, isso ajuda a dar qualidade aos teus textos também.
Enfim,

Parabéns.

Daniele V. disse...

A porta do meu coração tb está entreaberta, para aqueles que se foram, mas desejam voltar, numa ansiedade, com medo apenas de bater.

To preferindo nao guardar magoa. Já nao vale mais a pena ter orgulho dessa maneira.

imnotinsane disse...

Lindas palavras...
Eu tenho sempre a porta aberta!
Não sei se será bom, se será mau, mas a verdade é que já me bateram com a porta e apanhei grandes desilusões...
***

Rafael Dias disse...

Sempre mandando bem...

Abraço!

Flavinha disse...

E o que a gente faz quando a porta se fecha pra alguém que não sei vai, e a gente não sabendo se quer mesmo que esse alguém fique ou não?

se descobrir me conta?

Texto lindo... tão lindo e verdadeiro, que até dói. Mas é dor bonita.

Beijo, moço.

Lena disse...

oi
espero que voce ainda selembre do meu texto, sobre amizades..
bem eu li o seu comentario, e meu, você tem razão. É muito complicado você arranjar amigos de verdade, e o pior é quando você os perde por besteiras, por coisas que são idiotas.
E por mais que vocÊ se esforce, pode acontecer de você nunca mais tê-los ao seu lado novamente.
Porque essas coisas acontecem? eu fico muito triste. você fica abalado, parece que você não tem mais chão. eu não sei o que fazer sobre essas coisas, e acho que nao tem mesmo muito o que fazer, poruqe se a outra pessoa nõ está interessada na sua amizade fica difícil, mas e as amizades de mais de 6 anos que acabam do nada??
ai deculpas, eu estou te importunando com essas coisas. Sabe, esquece o que voce acabou de ler, pode ignorar, ta...
aushash

tambem quero te parabenizar por ter paciencia de ler um texto tao grande...

ah, e o seu texto está lindo, parabens.. sabe voce é um escritor nato... amei
bjos

Teka Soares disse...

As vezes os detalhes e as boas lembranças doem mais que o proprio "fechar de porta", talvez pelo fato de, a partir daí, não haver mais nada após a porta...
Simplesmente lindo. Verdadeiro.
Beijos*

Camila disse...

Custei a fechar a porta do meu passado. Mas ainda não acho certo trancá-la.
Nem mesmo fechar a janelinha que sempre fica aberta!
Beijo Filipe!

l u a . disse...

quando fecha a porta, assim, de amigo, num dói mais que amor acabado.?

nimim, dói.




- veio em dias de portas trancadas, nas quais me bato e imploro, querendo passar por debaixo, sem nunca poder.

Bárbara M.P. disse...

Meus Deus, de onde foi que eu tirei o nome Bruno??? Hein?! Hein?!

É Felipe! Repita comigo:
F-E-L-I-P-E!




=)

Tatah Marley's Confissões disse...

MARAVILHOSO!
o.o
meus olhos encheram d'agua agora..
e o final, especialmente lindo!
x)

Flá. disse...

E por falar em Lua, ela está linda aqui no céu de Vitória :)

Deus tem me presenteado com ela quase todos os dias (muito perfeito esse nosso Pai, né?)

bjo filipe! :D

caicko disse...

.
.

"E para se chegar onde quer que seja,

aprendi que não é preciso dominar a

força, mas a razão. É preciso, antes

de mais nada, querer." (Amyr Klink)

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#PS: [i]Muito obrigado pelo comentário sobre o texto que fiz para o meu sobrinho, Filipe. A sua emoção também me emocionou. Oubrigado mesmo, pela análise e pelo carinho.[/i]

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Flá. disse...

"A lua não perde o encanto e você nunca perdeu seu jeito de donzela"

Da sua lua que eu estava falando! e da lua aqui de Vitória, que hoje voltou a se esconder :)

bjo!

Bárbara Matias disse...

Filiupis!!!
Emocionei-me.
O entreaberto é sempre fruto de desejos e sonhos. É smepre uma possibilidade, mas nunca uma decisão, uma realidade.

É tão bom essa certeza de que por mais que se despeça os poemas estarão guardados e essa pessoa nunca se irá.

Mas acho que há momento de decidir, e há momento de curtir esse entre aberto.
Que bom ler este texto.É inspirador.

Bjinhos...

Juh... disse...

Jura q n escreveu isso pra mim???
seus versos foram tão meus
me li em cada uma das suas sílabas
vim agradecer seus elogios
e m encaixo tão perfeiament em sua poesia
me fez lembrar tantas coisas
sentimentos também pulsam do lado de cá....


Parabéns Filipe
seu jeito de escrever me encanta
beijos!

Glau Ribeiro disse...

Ai Filipe,

Me deixou aqui suspirando... Pensando nos momentos que fechei minha porta e nos momentos em que a porta estava fechada e eu queria - tanto - entrar.

Tão ruim esse "se" que as vezes nos persegue. Essa coisa de não saber ao certo se tentar, se não falar, se viver...

Ao mesmo tempo que sorri ao ler suas palavras me peguei tristonha, perdida nos meus pensamentos. Suas poesias têm esse efeito em mim. Me permitem sair daqui e ir longe, bem longe..

Sua inspiração é coisa linda de ver, Filipe. Já disse antes, e saliento, admiro muito e gosto tanto do seu jeito.

Se cuida.

Bjs!

Rafael Cury disse...

Mas o segredo é manter a porta aberta. Belo texto, gostei do seu blog. Voltarei mais vezes.