segunda-feira, 14 de abril de 2014

O homem


O homem se une ao asco
O asco da gênese humana
Que o pobre tem e o rico mantém
Que o bonito cospe e o feio abraça
Essa miséria universal; ausência de virtudes
Varão sem lei, mulher sem alma
Poesia que se afunda e se enlameia
Não há outro, não há próximo
Precisão narcisista, egoísta, colérica
Irradia-se o prazer incontrolado
Armadilha é os olhos da impiedade
Nos quais se enleva os interesses
E o apertar de mãos se torna pouco estreito
O abraço em braços soltos
O sorriso em dentes opacos
O amor em delírio de loucos
Amarrem-nos em camisas de força!
Porque o amor é ópio que só faz sofrer
Erga a cabeça, tu que amas
Ande adiante, sem notar ao seu redor
Tua aliança é com a pobreza, de onde vieste
Pó da terra, carne e sangue quente
Sentimento algum: só a adaga da violência
Que pega o outro pela couraça e lhe cospe inconsequências
Reis da mentira! Ladrões da verdade!
Fujam os amantes e apaixonados
Não existe mais lugar para se falar em rimas
Não há mais espaço para sentir o próprio espírito
O lobo é o homem
Que se transveste das próprias misérias
Que se vangloria das próprias imundícies
Que se percebe como merecedor do maior galardão
O homem, esse frívolo ser que sequer tem asas
E acha que a liberdade está fora de si mesmo
Pagãos! Deitarão todos no mesmo leito de terra
E as flores se ocuparão de perfumar o podre das veias
Quando, enfim, o homem mostra quem de fato é:

Chão de se pisar, memória de se esquecer.       

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